2.28.2006

Assombração

Não sou mulher de acreditar em mundos paralelos. Nunca vi duendes, não fui atingida por pó de pirlimpimpim nem vasculho o céu atrás de extraterrestres. Mas em pelo menos uma assombração eu acredito: naquilo que poderíamos ter sido e não fomos.

2.27.2006

Bilhete de aniversário

pra você, monica linda , que faz aniversário hoje. amor e doçura, banho de mar, dias de frio com edredon, luz de fim de tarde com céu azul, viagem, chocolate, cheiro de chuva, grama, beijo, cerveja gelada, música e sonho. tudo o que você desejar e tudo o que também não desejar e que te surpreenda, que te faça feliz, que faça sorrir. tudo, e mais um pouco. receba meu carinho e minha admiração. Eu te amo e sinto sua falta, amiga!

2.22.2006

Folhetim

Um amigo revirando seu passado teve a idéia de ir aos jornais e colocar nos classificados:
"Vendem-se amores usados. Excelente estado de conservação. Motivo: mudança".

Depois guardou as lembranças com amor, como era devido, como era de praxe.
E foi tomar sorvete — fazia calor demais e qualquer amargura não caía bem.

2.21.2006

Silêncio de Estrelas

Vivia para dentro. Seus dias eram desprovidos de encantos externos, praticamente desacontecidos. Suas horas passavam retas, como o sinal do monitor cardíaco de um morto. Olhando de fora parecia uma vida pequena, diriam, sem saber o que a banalidade ocultava. Como um mar de marola, um silêncio de estrelas, pé descalço na grama ou afago de mãe, era bom o seu lá dentro. Confortável e necessário. Escolheu ficar dentro de casa, com doçura e intenção. Uma vida agitada lhe tiraria o tempo de que precisava para reescrever sua história interior, a que lhe interessava construir. É que vivia de impressões e sentimentos e não tinha densidade em si para torná-los algo palpável. Precisava do tempo. Vivia para dentro, então, estéril para o mundo alheio, mas de alma auto-florescida. Insuspeitadamente feliz.

2.20.2006

Trem das Cores no dial

A franja da encosta, cor de laranja capim rosa-chá / O mel desses olhos luz /Mel de cor ímpar/ O ouro ainda não bem verde da serra / A prata do trem / A lua e a estrela / Anel de turquesa Os atomos todos dançam / Madruga, reluz neblina / Crianças cor de romã entram no vagão / E o oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da manhã / E a seda azul do papel que envolve a maçã /As casas tão verde e rosa / Que vão passando ao nos ver passar / Os dois lados da janela / E aquela num tom de azul quase inexistente / Azul que não há / Azul que é pura memória de algum lugar / Teu cabelo preto, explícito objeto / Castanhos lábios / Ou pra ser exato lábios cor de açaí / E assim trem das cores / Sábios projetos tocar na central / E o céu de um azul celeste, celestial...
caetano

Primeiro bilhete amassado...

Tudo começa meio sem foco, entre os lençóis. A luz no quarto é difusa, como os pensamentos... E este será o lugar certo para meus pensamentos mais desconexos... Escrever é um ato de coragem? Talvez...
O certo que vou continuar acontecendo, entre dias de sol e chuva mesmo neste confinamento. Entre delicadas descobertas e imensos espaços em branco que me servem para rabiscar um recomeço.
Ainda acredito no poder salvador das palavras e no poder regenerador do silêncio. É isso...