2.21.2006

Silêncio de Estrelas

Vivia para dentro. Seus dias eram desprovidos de encantos externos, praticamente desacontecidos. Suas horas passavam retas, como o sinal do monitor cardíaco de um morto. Olhando de fora parecia uma vida pequena, diriam, sem saber o que a banalidade ocultava. Como um mar de marola, um silêncio de estrelas, pé descalço na grama ou afago de mãe, era bom o seu lá dentro. Confortável e necessário. Escolheu ficar dentro de casa, com doçura e intenção. Uma vida agitada lhe tiraria o tempo de que precisava para reescrever sua história interior, a que lhe interessava construir. É que vivia de impressões e sentimentos e não tinha densidade em si para torná-los algo palpável. Precisava do tempo. Vivia para dentro, então, estéril para o mundo alheio, mas de alma auto-florescida. Insuspeitadamente feliz.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Vc tem estado mesmo feliz! Parabéns pelos primeiros 10 kilos! UHU!
Beijo
Marcela

3:19 da tarde  

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