3.29.2006

Bilhete de partida

Sabe, como a chuva que quando cai corre pelos telhados, assim tem sido o meu tempo. Ando escorrendo por telhados que secam sob o sol. Eu que um dia já fui nuvem, caí pelos telhados e me perdi. gota a gota. E agora ando escorrendo em baldes. Me recolhendo em pequenas poças portáteis.
Falta pouco então é melhor já partir, e eu vou. E você fica. Deixa, eu tenho que ir, é necessidade. Eu preciso ter com o mar, com mais água eu viro marola. Preciso contar conchas; brancas. Talvez de tantas a minha. Quem sabe? Chover bem longe. Parto aos pingos para que você me deixe aos poucos, como um fim de chuva que morre atrás dos raios de sol.
E dia após dia você vai se esquecer de mim. Como uma luz que falha você começa a me perder. Como uma foto antiga de polaroid que borra a imagem você não vai notar o semitom em que me camuflo. E quando você menos esperar, aquele fim de tarde, aquela velha canção, ou um cheiro doce ou acre, um beijo particularmente longo, um chopp gelado em um dia diferente, você vai parar por um segundo e olhar tudo em volta, imaginando um déjà vu que num segundo surdo, talvez você não perceba e fique mudo, você nem vai saber como lembrar de mim...

3.28.2006

Bilhete-poema

Nós os perecí­veis, tocamos metais,
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo,
nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me .
(Ainda, Pablo Neruda)

3.25.2006

A história de Lili Braun


"...Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz..."
Chico Buarque

3.22.2006

Fermata

Porque há dias que eu não sei se existem. Dias de fermata que apesar de lindos não inspiram amores, não refletem saudades nem temores. E como os dias há também as noites de um silêncio atemporal e sua lua minguante que observa o mundo com desinteresse, estrelas distantes, mentes que eu não sei, sonhos que não são meus...

Buarqueando


"Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu."
(Chico + Edu Lobo > 1987/1988)

3.15.2006

Bilhete divertido

3.11.2006

A gente não faz amigos, reconhece-os...


Preciso registrar: Sá Caraleo, Tamagoshinho, Chaffa, Lathália e De, muito obrigada pelo carinho e conforto ontem. Seu ouvidos (ou olhos) são mais que ombros - sem eles, mais difícil seria a minha sustentação, mais tempo levaria para clarear as turvas idéias do recomeço. Mais uma vez obrigada a vocês, que a cada tempo, na esbórnia (vide fotos) ou não, estão ao meu lado.
Eu amo tudo muito vocês.

3.08.2006

Mudanças

Eu não gosto de fazer mudanças, desfazer ninhos. Para quem me conhece é só reparar no apartamento de Niterói, ainda como se eu morasse lá. Não coloquei cds em caixas, não embalei objetos. Tenho medo de me perder. Tenho medo dos dias que ficaram perdidos entre as paredes, medo que eles me peguem pelo pescoço e me perguntem porque eu os deixei. Parece loucura, talvez seja. Mas eu não sei desconstruir histórias, tenho medo do gosto azedo do vazio. Temo a triste sinfonia dos quartos abandonados, requiém de profonação do que passei ali. Prefiro o discreto e falso - vou ali e já volto.
...Talvez eu volte
Um dia eu volto, quem sabe...
ps: isso não é uma despedida...

3.06.2006

De volta a terrinha

Estou de volta !
Tenho muitos seres dentro de mim.
Cada um vem de uma terra estrangeira.
(mas todos tem saudades de casa)

3.05.2006

Pequenas porções de ilusões

Ou pequenas porções para uma vida doce

  1. Perto do coração selvagem - Clarice Lispector
  2. A cor do invisível - Mario Quintana
  3. You are my thrill - Chet Baker ( Baker´s Holiday)
  4. DVD do Jack Johnson
  5. DVD - A bonequinha de Luxo
  6. Qualquer coisa do Chico
  7. Um conto do Caio F.
  8. Cazuza cantando Completamente Blues
  9. S´wonderful de Diana Krall no I-POD
  10. Amigos queridos no MSN

Vem pra misturar juízo e carnaval...

3.03.2006

Calor & Caio

Caio Fernando Abreu
Tenho um dragão que mora comigo.
Não, isso não é verdade.
Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu.
Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele estava comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs da ausência dele, pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.
Essa imagem me veio hoje pela manhã quando abri a janela e vi que não suportaria passar mais um dia sem contar essa história de dragões.
Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja um unicórnio, salamandra, elfo, sereia ou ogro. Eles não dividem seus hábitos. Ninguém é capaz de compreender um dragão. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro) sempre batem a cauda três vezes, como se estivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja a sua maneira desajeitada de dizer: que seja doce.
A ida a livraria além do calor me trouxe novamente a linguagem ambígua e fragmentada, descentrada com certa esquizofrenia, poética e antiliterária, minimalista e abusiva - que reside na escrita de Caio. Uma mistura de Cortázar, Clarice Lispector, amores e medo da morte.
Todo mundo deveria ler Caio F. Abreu.
Fica uma dica de leitura - Os dragões não conhecem o paraíso. Para mim o melhor livro do Caio.

3.02.2006

Parabéns!


Parabéns para minha amiga e parceira, Chaffa!
Pra vc sempre tudo de melhor!
Te adoro!