3.29.2006

Bilhete de partida

Sabe, como a chuva que quando cai corre pelos telhados, assim tem sido o meu tempo. Ando escorrendo por telhados que secam sob o sol. Eu que um dia já fui nuvem, caí pelos telhados e me perdi. gota a gota. E agora ando escorrendo em baldes. Me recolhendo em pequenas poças portáteis.
Falta pouco então é melhor já partir, e eu vou. E você fica. Deixa, eu tenho que ir, é necessidade. Eu preciso ter com o mar, com mais água eu viro marola. Preciso contar conchas; brancas. Talvez de tantas a minha. Quem sabe? Chover bem longe. Parto aos pingos para que você me deixe aos poucos, como um fim de chuva que morre atrás dos raios de sol.
E dia após dia você vai se esquecer de mim. Como uma luz que falha você começa a me perder. Como uma foto antiga de polaroid que borra a imagem você não vai notar o semitom em que me camuflo. E quando você menos esperar, aquele fim de tarde, aquela velha canção, ou um cheiro doce ou acre, um beijo particularmente longo, um chopp gelado em um dia diferente, você vai parar por um segundo e olhar tudo em volta, imaginando um déjà vu que num segundo surdo, talvez você não perceba e fique mudo, você nem vai saber como lembrar de mim...

2 Comments:

Anonymous Filipe said...

Sempre gosto quando vc escreve contos.
Saudades, vamos sair hj?

10:24 da manhã  
Anonymous Lívia said...

Estou chorando quero abraço...
Me falta coragem, Livinha.
Beijo

5:37 da tarde  

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