4.18.2006

Bilhete Póstumo

Alguns versos do AGORA que me tomou pelas mãos em um fevereiro improvável...

(...) És minha invenção de amor. Olhos melancólicos
Os teus. Eu contigo em degredo.
Difícil tomar a face desse segredo cada vez mais longe
E partir e também ficar, embora encontrada a chave da porta mais secreta.
Se eu pudesse dizer: seja a paisagem de seda azul
E o último sol fortíssimo do ocaso -
Eu liberta enfim de tuas pupilas (...).

Fiquei sabendo hoje que a poeta e tradutora Dora Ferreira da Silva morreu no último dia 6. Em 2005, ganhou o Prêmio Jabuti com Hídrias, belo livro em que se destaca seu apreço pela palavra. Criadora da revista e centro de estudos Cavalo Azul, ela sempre esteve ligada à difusão da poesia. Vocacionada, Dora era uma dama, no mais cristalino sentido do termo...Descanse em Paz,querida.

4.07.2006

Bilhete de saudade

Às vezes me vem, sem aviso, um misto de saudade e calor, ausência e desejo, tristeza e vontade. É quando busco um abraço que não existe. É quando esqueço o que se passou e dou um grito mudo com teu nome. É quando não quero mais acordar amanhã. É quando não choro, pois é tão grande o desatino que não estou aqui, apenas sinto a dor de não sentir você. É quando luto com a necessidade de ir, partir. É quando respiro e dou o suspiro mais profundo — muito mais fundo que o fundo dos olhos, que o peito, que o mundo, pra tentar acalmar o que é puro neste sentimento. É quando minto em vão.

4.03.2006

Clarice Lispector sempre

"Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações que aqui caleidoscopicamente registro."
(Águas vivas, Lispector, p.38)